intimidades superficiais

devaneios pouco claros, mentiroso, irônicos, falsos, profundos, verdadeiros e rasos

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

quase esquecidos

pedaços meus ao vento
fragmentos
perdidos
quase esquecidos

lembrança
uma página branca
insight futuro
nulo

hoje rasgado
arremessado
pensamento em versos transformado
um papel reciclado

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

camelos voadores

camelos voadores riem da minha cara
olhando ao espelho quebrado vejo vozes amareladas
outra manhã nesse recinto pouco arejado
sabor e cheiro suave de pão de queijo com mousse de maracujá

bate-se a porta ao lado
é outro ser que desperta enquanto o sol ainda não brilha
diálogo é o último desejo de quem deseja dormir
mas acordado louvamos a aurora borrada de branco

luzes cintilantes internas me ofuscam
daquilo que pretendia colorir
mas agradeço o ar poluído que exalo
deito e repouso nesse travesseiro de pedra

domingo, 3 de fevereiro de 2008

poker

casa cheia
tudo dentro

outras fichas rolando
noite varada
pressão psicológica

blefe
em todas as áreas da vida

sua aposta baixa
revela
seu medo de viver

elimine outro da mesa
aumente seu bolo

regra básica
sobrevivência
no jogo da vida

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

devoro nas entranhas

devoro
suculento óvulo
nas entranhas

ato deplorável
para uns
bizarro

mas impeço
outra façanha
nivelada rasteira

pois aborto
saudoso
propagação incurável

mastigar voraz
triturando
ser humano
que ainda sonha
esperançoso
salvar o mundo

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

meio dia

é meio dia
sombras inclinadas
ainda é horário de verão

inúmeros ruídos
tilintar de metais
contra porcelanas caras

ruas vazias
almoço em família

rotina hipócrita
de relações humanas

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

figura

figura
imagem patética
tão simples

traços diagonais
mera impressão
rascunho em folha reciclada
de uma impressora já sem tinta

como um efeito
nocauteador
manchas que inspiram

expiro repúdio

troquem os quadros famosos
pela imagem de um olhar

o olho cego
da auto-crítica

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

trincheira

me jogo na trincheira
de alma inteira

o corpo
delicadamente
dilacerado

sufoco
nos botões pregados ao pescoço
calcanhar
me aleja
nó cego, cega

som de passos
ouvidos ao solo
terra, fartura
entre meus lábios

enquanto tempo me resta
de sentir o calor
do sangue que espaca

suor em minha testa