intimidades superficiais

devaneios pouco claros, mentiroso, irônicos, falsos, profundos, verdadeiros e rasos

quinta-feira, 31 de julho de 2008

quando o clima afeta o aroma

gotejar
como chuva morna
em clima tropical

carne aberta
a contrastar o violeta
do crepúsculo invernal

o chão de tacos
brilha como novo

no ar
um odor púrpura
de humano fresco

terça-feira, 22 de julho de 2008

perfeita maquiagem

luxo em linho
esmalte vermelho
um pouco de brilho

base no rosto
face de boneca
vestido delineia o corpo

maquiagem perfeita
após diversos choros
fecha-se outro caixão

terça-feira, 1 de julho de 2008

velório

véu negro
da velha
no corredor de velas
o velório

velado
o velho
no decorrer da valsa
o velório

vestido
ao vento
no despedir que veio
o velório

segunda-feira, 16 de junho de 2008

carótida

aperto na carótida
decretando o silêncio
na minha vida
esta paródia

aconchegante leito
no quarto quente
sem mais palavras
"está feito"

sono dos humildes
ação inteligente
mas para todos eles
outro vencido

aquele ódio crescido
contra a humanidade
dou-lhes este presente
que meu corpo esfrie

terça-feira, 10 de junho de 2008

página inicial

pior notícia
em letras garrafais
como o anúncio
do fim do mundo

envolto
pelos fatos
que preenchem a leitura da semana

escapatória
impossível
apocalipse
todo meu

melhor seria
lançar-me num vulcão
do que ter
apenas
tua amizade

sexta-feira, 6 de junho de 2008

rumores

rumores
de outra consequência

atos
sem amores

e se por dádiva
me algemam num retrato
experiência
em novas cores

lágrima
sem sofrimento

fotografia
outro momento

atrás do vidro
observar é sina

híbrido
sentimento
novos atores
nessa vida de mentira

domingo, 1 de junho de 2008

ausência de falhas

engolir de um desprezo
dores abdominais
certeza na ausência de falhas
frente a frente com o carrasco
sem entender a sentença
enforcado em pensamentos

instrumentos intactos
expressam no silêncio
a falta de arte
músico incompreendido
recluso num camarim qualquer

tentar andar é impossível
aleijado de auto-estima
os olhos parados
a contemplar as paredes
com as cores de sempre
numa busca por contentamento